quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Romário promete ir até a Suíça atrás de documentos contra Teixeira. Se não fogo de entulho, As palavras do Baixinho Romário, ainda vão longe.



O ex-jogador e hoje deputado federal Romário está mesmo disposto a provar as acusações feitas contra Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014. Nesta terça-feira, em entrevista ao Bate Bola da ESPN Brasil, o Baixinho deixou clara a sua intenção de comprovar as denúncias feitas pelo jornalista escocês Andrew Jennings contra o dirigente brasileiro.

Questionado se cogitava a possibilidade de ir até a cidade de Zug, na Suíça, pedir ao juiz local para ter acesso aos documentos que poderiam incriminar Ricardo Teixeira e João Havelange - presidente de honra da Fifa -, Romário foi afirmativo. O deputado revelou até que já tem um plano de ação.

"Isso é totalmente possível. Farei isso com o senador Álvaro Dias. Se tiver de ir pessoalmente até lá, nós iremos pegar esse documento para mostrar ao Brasil com quem a gente está lidando", afirmou Romário.
Na terça-feira, Romário fez parte da comissão da Câmara que ouviu Ricardo Teixeira e o secretário geral da Fifa, Jerome Valcke. O ex-jogador reclamou que foi boicotado pelos colegas e afirmou que os dois dirigentes fugiram dos questionamentos. No Bate Bola, o deputado lembrou que tipo de perguntas fez aos cartolas.
Perguntei ao presidente da CBF se, depois de tantas denúncias ­ no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, no Ministério Público, na Polícia Federal e essa na Suíça ­, se for comprovada a culpa dele, se ele abriria mão de ser presidente da CBF e do COL para que as coisas no futebol brasileiro tomassem um rumo mais decente. Ele não respondeu", lembrou o Baixinho.

Para Valcke, Romário fez outra pergunta instigante. "Perguntei se ele achava justo a Fifa depositar no Ricardo Teixeira a responsabilidade de representá-la dignamente. Também não respondeu", afirmou o deputaro.

O discurso crítico de Romário à Copa do Mundo tem como um dos pilares a interferência da Fifa em questões que, segundo o deputado, ferem a soberania do Brasil. Para dar força à sua tese, o ex-jogador revelou que vem tentando obter os documentos da Copa de 1994, nos Estados Unidos.

"Eu como deputado federal estou tentando conseguir o protocolo de intenções da Fifa com os Estados Unidos, mas eu caço e ninguém me dá. Tenho certeza que 80% do que foi pedido para os EUA, eles não respeitaram", disse.

Antes de jogo decisivo, Ricardo Gomes faz visita à concentração e almoça com elenco



O técnico Ricardo Gomes teve de se afastar do comando do Vasco desde o final de julho por conta de um AVC, sofrido durante o clássico com o Flamengo, ainda no primeiro turno do Campeonato Brasileiro, mas, ainda assim, ele não deixa de se fazer presente no clube para motivar os jogadores a não desistirem, tanto da Sul-Americana, quanto do título nacional. Nesta quarta-feira, o treinador, que ainda está em recuperação, compareceu à concentração vascaína e chegou a almoçar com os jogadores, deixando o clima entre eles bastante descontraído.

De acordo com a diretoria do Vasco, a ideia da visita partiu do próprio Ricardo Gomes, que mantem contato frequente com o clube e com o atual técnico do Vasco, Cristóvão Borges, para ter informações a respeito dos atletas. A visita criou um clima agradável para todo o elenco, que terá um jogo difícil nesta quarta pela Sul-Americana ­ precisa reverter o placar de 2 a 0 conquistado pelo Universitário, no Peru.

A visita de Gomes teve um tom mais informal e, durante o tempo que passou com os jogadores, ele não adotou a postura séria, típica do treinador. O que deixou os jogadores bastante felizes foi vê-lo andando e falando normalmente, já se mostrando quase plenamente recuperado do AVC que o tirou das atividades no Vasco três meses atrás.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Conrad Murray é declarado culpado por morte de Michael Jackson

Como é possível um ser humano consumir todo esse medicamento, e ainda culpam um médico?























Médico foi condenado por homicídio culposo, sem a intenção de matar.
Julgamento começou em 27/9 e sentença final sairá em 29 de novembro.

O médico Conrad Murray foi declarado culpado nesta segunda-feira (7) do processo em que era acusado do homicídio culposo (quando não há intenção de matar) de Michael Jackson. A sentença definitiva do cardiologista será anunciada apenas em 29 de novembro.

A declaração foi lida por Sammie Benson auxiliar da Corte de Los Angeles duas horas após o júri ter chegado a um veredicto unânime. Ao final da declaração, Benson disse que o júri o condenava a quatro anos de prisão. Mas a sentença não é definitiva devido a um pedido feito pelos advogados de Murray.

A decisão, que estava programada para sair às 19h (do horário de Brasília; 13h em Los Angeles), atrasou por conta do próprio Murray, que estava com a família em Santa Monica e demorou para chegar ao tribunal, no centro de Los Angeles. Ele ouviu a declaração acompanhado da mãe e de Nicole Alvarez, sua namorada.


Conrad Murray é algemado após decisão do júri
Já os familiares de Jackson, como seus pais e irmãos, compareceram ao local antes das 18h45. A decisão foi comemorada por fãs de Jackson, que acompanharam tudo do lado de fora da Corte de Los Angeles.

Os jurados começaram a deliberar a partir das 14h30, três dias depois da primeira deliberação.

No dia 3 de novembro, tanto a promotoria quanto a defesa apresentaram seus argumentos finais.


Fãs de Michael Jackson celebraram a decisão do lado de fora da Corte de Los Angeles. Sete homens e cinco mulheres que compuseram o corpo de jurados foram reunidos para decidir se o médico de 58 anos era ou não responsável legal pela morte de Michael Jackson, causada por intoxicação aguda de propofol. O cardiologista era médico pessoal do cantor, a quem administrava diversos sedativos, entre eles o anestésico propofol, para combater sua insônia.

Na manhã de 25 de junho de 2009, Murray administrou o anéstico após outros medicamentos não surtirem efeito durante a noite. Após se ausentar do quarto de Jackson, ele o encontrou aparentemente sem vida. O rei do pop tinha 50 anos.

Entenda o julgamento
O processo deveria ter começado em 9 de maio, mas foi adiado a pedido dos advogados da defesa, que desejavam poder preparar o contra-interrogatório de novas testemunhas citadas pela acusação. O julgamento de Conrad Murray começou em 27 de setembro, com o juiz Michael Pastor como o encarregado do caso. Uma de suas primeiras decisões foi a de não permitir que o júri visse às últimas filmagens dos ensaios finais do cantor para evitar "influências externas".


Joe and Katherine Jackson, pais de Michael, chegam à corte para ouvir a senteça, assim como Jermaine, seu irmão (Foto: AP)A defesa do cardiologista sustentava a tese de suicídio, alegando que o cantor estava desesperado por suas várias dívidas e que injetou em si próprio uma dose extra sem o conhecimento de seu médico. Murray admitiu ter dado a Jackson propofol e duas injeções de dois miligramas cada de lorazepam para ajudá-lo a dormir. Mas a autópsia detectou no corpo de Jackson níveis mais altos do anestésico.

O doutor Paul White, previsto para ser a última testemunha da defesa, afirmou que Jackson podia ter engolido oito outros comprimidos do anestésico lorazepam durante uma longa noite insone, elevando o nível da droga em seu sangue ao nível constatado na autópsia.


Dezenas de vidros de anestésicos e outras drogas são exibidas em 5 de novembro, durante o jugalmento do ex-médico do cantor Michael Jackson, Conrad Murray (Foto: AP)Os advogados de Murray usaram várias testemunhas para demonstrar que Jackson era dependente de medicamentos e fazia de tudo para obter o propofol. A enfermeira e nutricionista Cherilyn Lee, que trabalhava com o astro em 2009, disse que Jackson chegou a afirmar que anestésico cirúrgico era a única coisa que o fazia dormir.

O especialista em anestesiologia Steven Shafer, por outro lado, acusou Murray de agir como um empregado de Jackson, não como um médico. "A relação médico-paciente consiste em que o médico ponha o paciente em primeiro lugar. Isso não significa que faça o que o paciente pede, e sim o que for adequado", criticou.

Na quinta-feira (3), o promotor David Walgren usou como argumento central a “negligência criminosa” do médico. Walgrem citou os filhos do artista e afirmou que, "para eles, este caso não acaba hoje ou amanhã ou no dia seguinte. Este caso será para sempre, porque não têm pai.”


Um dos promotores do caso Jackson
Ed Chernoff, um dos advogados de Murray, adotou a estratégia de dirigir uma série de perguntas ao júri. A defesa argumentou que o cantor era um “viciado desesperado” que causou sua própria morte ao tomar mais medicamentos enquanto o médico estava fora do quarto. O advogado também questionou a integridade das testemunhas apresentadas pela defesa, além de dizer que os produtores da turnê para a qual Jackson se preparava pressionaram o cantor

Sobre o fato de o médico não ter ligado para serviço de emergência ao ver que Michael Jackson se encontrava em estado crítico, apresentou nova questão: "alguém ligaria para o 911 se fosse um médico treinado? Isto não é um reality show. Isto é realidade”.

De acordo com Walgren, mesmo que Murray não tenha visto o músico utilizando propofol, era sua responsabilidade zelar pela integridade do paciente. A promotoria foi contundente em sua intenção de demonstrar os erros profissionais cometidos pelo médico em seu tratamento.

Morre o ex-boxeador Joe Frazier







O ex-campeão mundial dos pesos pesados, Joe Frazier, que fez três lutas memoráveis contra o também americano Muhammad Ali na década de 1970, morreu nesta segunda-feira (7), aos 67 anos, informou sua família.

De acordo com a família do ex-pugilista, Frazier morreu após uma breve luta contra um câncer no fígado.

Frazier foi o primeiro lutador a derrotar Muhammad Ali. Em 1971, no Madison Square Garden de Nova York, ele ficou com o título mundial ao vencer por decisão unânime após 15 assaltos.

Mas Ali venceu a revanche, em 12 roundes, no ano de 1974, e também o último combate do confronto histórico, que ocorreu em 1975, em Manila (Filipinas), após 14 assaltos.

Frazier abandonou o boxe após a derrota em Manila, com um currículo de 32 vitórias - 27 por nocaute -, 4 derrotas e um empate. Nos últimos anos, ele era solista do grupo musical “Knockouts”.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Marta Suplicy retira pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo.Valeu o pedido da Presidente Dilma



A senadora Marta Suplicy (PT-SP) disse nesta quinta-feira (3) que abriu mão da pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo. Marta falou ao lado do presidente nacional do PT, Rui Falcão, e do presidente do partido em São Paulo, Antonio Donato.

"Tive muitas conversas com a presidente, reservadas. O pedido deles é um pedido irrecusável e eu gosto de estar no Senado. (...) Sabia que se entrasse para disputar as prévias, ganhando ou perdendo, todos perderiam", afirmou Marta.


A senadora Marta Suplicy (PT) durante pronunciamento em que anunciou retirada da pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo (Foto: Roney Domingos / G1)Na terça-feira, a secretária de Comunicação Social da Presidência da República, Helena Chagas, afirmou que a presidente Dilma Rousseff pediu que Marta não concorresse nas prévias. O argumento seria que Marta é essencial para o governo no Senado, como vice-presidente da Casa.

Segundo o Planalto, o pedido de Dilma foi feito em uma conversa reservada de Dilma com Marta no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, na noite de segunda-feira (31), pouco antes de a presidente realizar uma visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava internado para tratamento contra um câncer no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Assim como Dilma, de acordo com Marta, o ex-presidente Lula também pediu que ela desistisse das prévias. "Fiquei muito sensibilizada com o apelo da presidenta Dilma e do presidente Lula e por isso quero dizer que estou me retirando da disputa de 2012 e vou continuar no Senado, no cargo de vice-presidente."

Segundo Marta, um pedido da presidente Dilma e do presidente Lula é "algo irrecusável."

Marta afirmou ter ligado para Lula nesta manhã para dar a notícia. "Eu conversei hoje [quinta] de manhã. Liguei para ele. Ele está ótimo. Falei que era a primeira pessoa para quem eu gostaria de dar a notícia. Ele falou que não aguenta mais ficar em casa e semana que vem vou para o Instituto (Cidadania). Falei que ia visitar e ele falou vamos marcar um almoço."

Marta era uma das pré-candidatas do PT à Prefeitura de São Paulo, ao lado o ministro da Educação, Fernando Haddad, apoiado por Lula, o senador Eduardo Suplicy, além dos deputados federais Carlos Zarattini e Jilmar Tatto. Os quatro se mantém na disputa.

As prévias do PT estão marcadas para o dia 27 de novembro. Até a próxima segunda-feira (7), os cinco pré-candidatos precisam coletar, no mínimo, 3.181 assinaturas de filiados para poderem garantir a disputa nas prévias.

Marta não quis se manifestar desde já sobre seu eventual apoio aos outros pré-candidatos. "Nós estamos em um processo e esse processo não está terminado."

Questionada se sua candidatura perdeu força dentro do PT, Marta afirmou se retirar para prevenir o desgaste da legenda em caso de realização de prévias.

"Sinto que as lideranças importantes passaram a apoiar Haddad. Mas nunca senti em nenhum dos encontros zonais nada que não fosse um imenso carinho por parte da militância. Uma prévia é algo muito difícil principalmente para uma pessoa como eu que sou muito combativa e aguerrida e que vai na jugular. Na hora em que se entra em uma prévia, seria muito ruim para o partido porque a gente sairia - não importa quem ganhasse essa prévia - com o partido absolutamente rachado, sem unidade, impossibilitado de ganhar uma eleição. O pedido da presidente e do ex-presidente, a situação toda, não tem que ir para esse enfrentamento porque ia estraçalhar a nossa militância. Isso não teria nenhum sentido."

Marta, que chegou a dizer que se o PT pretendia perder em São Paulo bastava lançar Haddad, disse que não se arrepende da frase. "Não me arrependo nada. A frase era perfeita no momento em que eu disse. Eu estava em um embate. O Lula é uma pessoa que quando decide algo, não vai por uma avenida só. Ele sempre deixa brechas. Eu estava no embate para que fosse eu, para que ele desistisse da ideia. Agora não serei mais candidata. Essa frase, vira essa página", afirmou.

A senadora prometeu que, apesar da frase, vai se empenhar por Haddad, caso seja ele o escolhido. "Eu sou uma pessoa combativa. Eu tentei ser o mais 'light' possível, mas mesmo assim saiu essa frase. Vamos suar a camisa para quem for indicado no partido. Tudo indica que vai ser o Haddad. A candidatura que o PT escolher é a candidatura que eu vou me esforçar para levar lá", afirmou.

Planalto
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, classificou nesta quinta-feira a desistência da senadora Marta Suplicy de concorrer à prefeitura de São Paulo como um “gesto de muita maturidade”.


“Marta foi uma grande prefeita. Teve um gesto de muita maturidade neste momento e ela é, sem dúvida, uma eleitora importante em São Paulo e pelo país afora. Então sabemos o quanto é importante a presença da Marta na campanha”, disse.

Carvalho negou, porém, que haja negociações para que a senadora assuma um ministério no ano que vem. “Não tem discussão. Quem escala ministério chama-se Dilma Rousseff”, declarou.

Gilberto Carvalho saiu em defesa do principal nome petista para a prefeitura, Fernando Haddad. Para Carvalho, a anulação de 13 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não coloca em xeque a “competência” de Haddad à frente do MEC (Ministério da Educação).

“O Enem não atrapalha, nada desfaz a extrema competência que o Fernando Haddad e a sua equipe tem gerido o MEC nos últimos anos”, disse. “Não podemos permitir que um incidente, que infelizmente se deveu a má intenção de uma pessoa, atrapalhe um exame que é um sucesso no conjunto do país, então temos que encarar as coisas na devida proporção.”

Suplicy
Mesmo com a movimentação para um consenso dentro do PT paulista para apoiar a candidatura de Haddad, o senador Eduardo Suplicy afirmou na tarde desta quinta-feira que considera "legítimo" manter sua pré-candidatura à prefeitura de São Paulo.


"Eles reconhecem as qualidades do Haddad, mas acho legítimo também que eu seja candidato e possa defender minhas ideias", afirmou o senador ao G1.

"Ela [Marta] sempre disse que está muito feliz com seu trabalho aqui no Senado, assim como eu estou. Mas o apelo pessoal feito pela presidente [para Marta], é claro que pesou. O fato é que eu não recebi apelo", disse o senador.

Jovem invade escola e mata adolescente de 17 anos em Manaus



Um adolescente de 17 anos foi assassinado na noite desta quinta-feira (3), por volta das 19h30, dentro da Escola Estadual Waldemiro Peres Lustoza, no bairro Compensa 2, Zona Oeste de Manaus.

Segundo informações do Major Keliton Cezar Rodrigues, da 8º Companhia Interativa Comunitária (Cicom), o assassino pulou o muro da escola, efetuou três disparos contra a cabeça do aluno e fugiu pelo mesmo local que havia entrado.

A vítima ainda chegou a ser levada para o Serviços de Pronto Atendimento Joventina Dias (SPA), no bairro Compensa, Zona Oeste. A equipe médica tentou reanimá-lo, mas não conseguiu. A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), localizada na avenida Grande Circular, Zona Leste, já investiga o crime.

Ainda segundo informações do Major Keliton, o adolescente morto já tinha passagens pela Polícia, por envolvimento com o tráfico de drogas e roubo.
O crime aconteceu por volta das 19h30 desta quinta feira

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Médica deixa carro com manobrista e é avisada sobre acidente com mortes









Veículo foi 'emprestado' sem ela saber em estacionamento em Higienópolis.
Carro que estava em SP foi achado em Caieiras após batida.
Kleber Tomaz
Do G1 SP

Um manobrista de um estacionamento particular em Higienópolis, bairro nobre na região central de São Paulo, recebeu o carro de uma médica que trabalha na Avenida Angélica, mas, em vez de guardá-lo, acabou “emprestando” o veículo a dois amigos que queriam ir a Caieiras, na Grande São Paulo, na noite deste sábado (29). O que parecia uma irregularidade sem maiores consequências, já que a dona do veículo estava de plantão até domingo (30) e provavelmente não ia desconfiar de nada, se tornou uma tragédia irreparável. Um dos colegas do manobrista que dirigia o Kia Carens da pediatra teria feito uma conversão proibida na Estrada Velha de Campinas ao tentar ultrapassar uma carreta, que momentos antes havia derrapado e batido na lateral de um Fiat Palio Weekend. Ao fazer o contorno, o Kia teria ido para a contramão e colidido, de frente, com o Palio, que seguia no sentido correto.

Dentro do Palio estavam as jornalistas Ligia Maria Celeguim Tuon e Denise Pimentel Spera, ambas com 25 anos, e o professor de informática Bruno Tuon Perim, de 27. Denise e Bruno morreram por causa da colisão. Ela era a condutora. Bruno estava no banco de passageiros e era primo de Ligia. As vítimas foram sepultadas no domingo em Caieiras.

“Quando o delegado me ligou, estava no hospital atendendo uma criança em crise. Fiquei e ainda estou chocada realmente. Não sei o que dizer. Não sei o que passou na cabeça desse funcionário que tirou o carro de alguém. O estacionamento está me dando toda a assistência. Disseram que vão arcar com as despesas. Deu perda total. Mas o pior está do outro lado. Fico com pena dessas famílias que perderam seus filhos", afirmou a médica proprietária do Kia. Ela só aceitou falar com o G1 sob a condição de que seu nome não fosse divulgado.

"A gente sempre deixa o carro achando que ele está seguro. Agora terei de rever onde deixo meu carro. O estacionamento fica perto do trabalho. Trabalho lá há dois anos e nunca havia tido qualquer problema até agora”, afirmou.

Sobrevivente
A jornalista Ligia Maria Celeguim, única sobrevivente do Fiat, afirma que estava chovendo na hora do acidente e que a curva era muito perigosa. "Eu estava no banco da frente. Eu vi a carreta desarticulando em ‘L’, derrapou para nosso lado. Teve várias pancadas violentas. Para mim nem tinha outro carro participando do acidente. O motorista do caminhão parou um pouco à frente. Ele não me resgatou nem aos outros. Fiquei bastante machucada. Fiquei com labirintite. Lesionei o pulmão direito. O cinto queimou meu ombro e a barriga. Estou com bastantes escoriações. Eu não sei dizer se foi falha do motorista do caminhão ou do outro carro que bateu depois no veículo onde eu estava.”.

“Espero que haja justiça com o que ocorreu com minha filha, que os culpados respondam pelos atos errados que fizeram. Esses indivíduos que pegaram um carro indevidamente de uma médica em São Paulo e foram para Caieiras têm de responder pelo furto do veículo e pela morte da minha filha e do amigo dela”, disse Waldemar Spera, pai de Denise, que autorizou o G1 a divulgar a foto da filha.


A jornalista Denise Spera tinha 25 anos
A mulher dele, Vânia Spera, escreveu uma carta em memória da filha do casal, Denise. "No dia 30 de junho de 1986 Deus te colocou no mundo e no dia 8 de julho ganhei o presente mais valioso que o ser humano pode ganhar. Foi aquela “rosa” com olhinhos azuis, cabelinhos de fios de ouro, clarinha como a neve. Foi assim que te vi pela primeira vez. Desde este momento minha vida se transformou, foram só grandes conquistas, grandes realizações, momentos surpreendentes, tudo, tudo que o ser humano pede a Deus, e eu fui beneficiada com essa graça de receber de Deus a minha Denise", escreveu, em um dos trechos.

Formada em jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, Denise havia feito curso de inglês em Londres e estava trabalhando como consultora de marketing em uma empresa na capital paulista. “Ela era uma filha dedicada, não se cansava de estudar”, afirmou Waldemar, que analisa a possibilidade de entrar com algum processo contra o estacionamento onde trabalha o manobrista que “cedeu” o carro da cliente irregularmente para as pessoas que participaram do acidente com a carreta que resultou na morte de Denise e Bruno.

Investigação
O caso foi registrado na Delegacia do Centro de Caieiras. O manobrista Jhonatan Paulino Alves dos Santos, de 22 anos, seus amigos, Higor Costa Araújo e Nivaldo Castro, que estavam no Kia, e o motorista do caminhão, José Benedito dos Santos Filho, de 38 anos, foram responsabilizados individualmente pela Polícia Civil.


O manobrista Jhonatan foi indiciado nesta segunda-feira (31) por apropriação indébita por ter pego o carro da médica e entregue sem autorização dela aos dois colegas. Em depoimento à polícia, ele disse que os amigos queriam ir para uma festa em Caieiras.

Higor, que conduzia o Kia, e José Benedito, motorista da carreta, foram acusados pela polícia por homicídio culposo na direção de veículo automotor. Higor e Nivaldo ainda estão sendo responsabilizados por fugir do local do acidente sem prestar socorro às vítimas.

Como o caso envolve um crime culposo, sem intenção, a polícia não pediu a prisão dos investigados. Todos vão responder aos crimes em liberdade. Numa eventual condenação, a pena para cada um pode chegar até seis anos de prisão.

"Decidimos responsabilizar os dois motoristas pelas mortes. Ainda aguardamos laudos da perícia técnica que irá indicar outros detalhes sobre o acidente que serão incluídos no inquérito, como velocidade do Kia e do caminhão. E também saber quem atingiu primeiro o Fiat da jornalista", disse o delegado Fábio Lopes Cenachi, da Delegacia Central em Caieiras. Segundo ele, o motorista do caminhão não apresentava sinais de embriaguez e, por isso, não realizou nenhum exame de dosagem alcoólica. Já o condutor do Kia fugiu no sábado e só reapareceu um dia depois e, por esse motivo, também não passou pelo teste do bafômetro.

O advogado Nelsimar Pincelli, que defende Jhonatan, afirmou que seu cliente não irá falar com a imprensa sobre o caso. Em sua defesa, ele informou que o manobrista afirmou à polícia que emprestou o automóvel para os colegas. “Meu cliente tem acesso aos carros e acabou por uma infelicidade emprestando o carro de terceira pessoa para um conhecido dele. Ele está arrependido. Ele emprestou alguma coisa que não era dele. Ele jamais poderia prever esse tipo de evento. Foi demitido.”

O que diz o estacionamento
O manobrista Jhonatan trabalhava no estacionamento Rit, que fica na Avenida Angélica. O G1 procurou a assessoria de imprensa da AllPark Estacionamento, razão social do local, para comentar o assunto, que divulgou uma nota a respeito:

"Em esclarecimento sobre o furto de veículo ocorrido em garagem administrada pela Estapar, no dia 29 de outubro de 2011, a empresa informa: Ao tomarmos ciência de que o veículo da cliente havia sido furtado, imediatamente tomamos todas as providências necessárias para esclarecer os fatos. Desde o primeiro momento, oferecemos total suporte a cliente e nos responsabilizamos integralmente pelo ressarcimento do veículo, cuja reposição está sendo providenciada. Diante do sinistro, todas as providências administrativas foram tomadas pela Estapar. Os demais fatos acontecidos após o furto do veículo foram ocasionados por terceiros e cabe às autoridades competentes investigar e punir os eventuais culpados."

O G1 não conseguiu localizar Higor, Nilvado e José para falar sobre o caso. Em depoimento à polícia, os rapazes que estavam no Kia deram uma versão diferente da do manobrista e do motorista do caminhão. Segundo os amigos de Jhonatan, eles queriam o carro emprestado para levar uma criança a Caieiras. Sobre o acidente, eles disseram que a carreta estava atravessada na pista e o automóvel onde eles estavam bateu em seguida nela. Como eles estavam com uma criança dentro do carro e o veículo não era deles, fugiram.

Mas o condutor do caminhão disse que foi o Kia que colidiu com o Fiat, que, posteriormente, esbarrou no “cavalo” do seu veículo.