Em entrevista feita no fatídico domingo de Ímola, tricampeão se mostra preocupado com a segurança para o GP de Mônaco de 1994, que ele jamais chegaria a disputar
Aos 34 anos e após 10 temporadas disputadas, o tricampeão mundial demonstrava uma grande preocupação com a segurança da categoria. O tema pautou a entrevista a West, feita tendo como referência o GP de Mônaco - etapa seguinte do campeonato, que seria realizada dali a duas semanas.
Maior vencedor da prova mais tradicional da F-1, com seis triunfos nas ruas de Monte Carlo, Senna afirmou ao diretor de marketing do time inglês que os pilotos planejavam solicitar mudanças à FIA, principalmente em relação ao limite de velocidade no pitlane.
- O pitlane é muito estreito e haverá muitos pilotos lá. Vai ser muito, muito perigoso. Já falamos disso hoje e estamos pensando em pedir aos responsáveis da FIA para introduzirem um limite de velocidade no pitlane - afirmou Senna, com a propriedade de quem detém, até hoje, o recorde de vitórias no famoso Circuito de Mônaco.
A morte de um dos maiores pilotos de todos os tempos já seria suficiente para classificar o GP de San Marino de 1994 como o mais trágico da história da F-1. Mas aquele fim de semana na Itália presenciou uma espantosa sequência de acidentes, como o gravíssimo impacto de Rubens Barrichello durante os treinos livres da sexta-feira e a morte do austríaco Roland Ratzenberger no classificatório do sábado. A corrida do domingo começou com uma pavorosa colisão entre J.J. Lehto e Pedro Lamy, e a relargada após a saída do safety car foi logo interrompida pelo choque fatal de Ayrton Senna no muro da curva Tamburello, a 210 km/h.
A inesperada morte de Senna causou uma comoção mundial sem precedentes na história do esporte, e também deu início a uma verdadeira cruzada por mais segurança na categoria mais nobre do automobilismo. Após o GP de San Marino, a FIA implementou uma série de mudanças fundamentais para reduzir a ocorrência de acidentes nas temporadas seguintes. Entre elas, o cockpit menos exposto, que protege mais o ocupante; o sistema de proteção da coluna cervical em caso de impacto; a ampliação das áreas de escape das pistas; a padronização do serviço de resgate e a modernização dos hospitais montados nos circuitos.
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